Se eu fosse dar ponta pé a uma escola de cinema qualquer, em comunhão com amigos e amores, sugeriria que começassemos com algo do tipo:
"Não queremos que filmes transformem as pessoas de maneira manipuladora, como se pudéssemos mostrá-las quem realmente são ou deveriam ser, não somos psicanalistas arrogantes. O cineasta é demiurgo do seu próprio mundo, espontaneo, refém contente de sua natureza, não na manipulação sádica da razão ou sensação dos que o contemplam.
Podemos ser artistas arrogantes, acreditamos tão profundamente na transformação pela arte, porque é natural, que o pensar sobre ela, em qualquer etapa do seu curso, fere-a. Faz da arte um tolo artifício de poder e opressão, de grande valor de comércio, inclusive, como um balaço, um jornal ou panfleto qualquer.
Nós os chamamos para nos ver porque amamos com força e inteireza, a transformação se dá nas mãos de quem é atraido e escolhe se entregar. Mas não vendemos arte, nós parimos, nos identificamos e depois abandonamos. Somos espíritos livres. Vivemos em matilha, não em rebalho ou família."
é um ótimo manifesto, pra início de conversa, hein?
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Na minha escola o manifesto é mais interessante:
ResponderExcluir* Não nos importa o que você pensa e o que quer fazer. Seus filmes apenas cumprem a grade exigida pela secretaria da educação.
* Você e seus colegas são números. Cifras. Nada mais.
* Alunos de um lado. Instituição do outro. [Funcionário que bebe com aluno será automaticamente desligado da instituição]
* Um mar de informações desconexas. A ilusão do conhecimento.
* Festivais? Para que? Os filmes produzidos pelos alunos são todos ruins.
* 70% de profissionais desqualificados devem compor o corpo docente.
* O que o aluno disser, exigir, solicitar, deve ser ignorado baseando-se na ideia de que os 20% da massa não pensante prefere suprir suas necessidades como ordinários e somente consumir informações não relevantes e desprovidas de indução a noção crítica. Tal posição deve ser mantida caracterizando essa porcentagem como o “aluno ideal” para a instituição.
Eu, como parte integrante desta instituição, que vivo sob a ilusão do poder, juro respeitar todos os itens deste manifesto.
Fábio Barros.
fábio, desculpa, não te reconheço pelo nome.
ResponderExcluirmas bem, você acaba de descrever praticamente toda e qualquer escola, nesse sentido em que você leu. quem sabe um dia não nos metemos verdadeiramente a deseducar em vez de pastorear pessoas.
eu te perguntaria, você quer mesmo fazer um curso de cinema? o que você deseja como cineasta essa escola te propõe de alguma forma?
eu estudo num lugar que vende o avesso exato disso que acabo de postar aí. mas de todo jeito fui quem escolheu e a responsabilidade é minha de aprender, inclusive, com a limitação dos outros, certo? me vale o mau exemplo porque a minha pergunta, na vida, é justamente essa de como é que se aprende a fazer e criar cinema.
mas qual é a sua?
pensar a arte some a arte
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