domingo, 27 de junho de 2010

manifesto (parte 2)

"Nós não vivemos de cinema, em qualquer sentido, simplesmente vivemos, a arte é nossa precipitação natural, e nossa referência é o mundo. Assim, que fique claro: nós não buscamos a novidade, porque sabemos que ela é uma ordem. Por isso cagamos pro seu mercado, não queremos selo em prateleira alguma. Cinema não é trabalho, não serve a ninguém, nem a nós que o fazemos, ele se basta. Um bom filme não tem fim nem começo, não dura dez minutos, meia, duas ou três horas. Um bom filme não ocupa tempo algum, ocupa vidas.

Você já viu todos os filmes do mundo? Esse é o seu objetivo? Problema seu. Nós amamos o olhar espontaneo, pureza não existe, queremos um olhar desperto de criança, que viu pouco e viu muito. Um bom exercício para nós seria vendar-se por meses para, em data marcada, desvendar-se e receber uma câmera nas mãos. Pronto, agora faça o seu filme. Esse é o nosso momento, o da criação e da fabricação. Não julgue. Não somos acadêmicos ou tecnocratas, roteiristas, diretores ou fotógrafos; histórias, imagens, sons e máquinas são extensões da nossa natureza e queremos brincar de fazer mundo, por que o mundo é incidência de luz."

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